Filhos da pandemia

Entra com os caracois soltos e brilhantes! O sorriso de um anjo ilumina a sala.

– Olá Cat! Mas que lindo sorriso!!Como estás? Farta de estar fechada em casa?

– Nãoooo!! Eu estou a adorar estar em casa com a mãe e o pai. sabes, vou contar-te um segredo – Diz baixinho a Cat em tom de doce confidência – Todas as noites peço ao meu anjo da guarda para não ter mais atividades! Eu quero ficar para sempre com a mãe e o pai!

Aquelas palavras, pinceladas de uma inocente sinceridade abriram a minha janela da mente para recordações fantásticas da minha infância. Chegar esbaforida da escola, lançar a mochila para um canto e tirar os sapatos como se fossem toda a razão da minha falta de liberdade. Correr descalça, abraçar pai e mãe e simplesmente estar naquele que era o meu porto seguro, a minha casa.

E naqueles sussurros senti que este era o sonho da Cat, o sonho de quase todas as crianças do mundo, estar em casa e sentir que finalmente podem estar SEMPRE com os pais. Mas que delicia de sonho!! Mas que simplicidade que as crianças pintam a vida!

A Cat é uma menina de 6 anos que eu acompanho há alguns meses. Uma criança muito doce, que chegava sempre com uma grande  tristeza no olhar. Os pais estavam preocupados pois não conseguiam compreender aquela tristeza, o choro constante. Hoje chegou radiante, como um anjo luminoso e muito feliz! Os pais dizem que durante estes 5 meses, não sentiram qualquer tristeza na menina. A cura desta menina foi a presença dos pais.

Nestes tempos de Pandemia, tempos de ficar em casa,  temos as crianças que tal como a Cat, estão fascinadas por poderem estar com os pais a tempo inteiro e temos as crianças que saem desta quarentena com graves questões de ansiedade, raiva e frustração.

Temos os filhos do amor, de pais que alimentam o seu relacionamento com boas palavras, sem discussões e com harmonia familiar. Estes são os filhos que a pandemia curou.

E temos os filhos da discórdia, de pais que não aguentaram o período de quarentena e tiveram grandes discussões, sem conseguirem fugir à presença dos filhos neste confinamento. Estes são os filhos que precisam de muita amor, muita cura.

Os filhos da pandemia são os nossos filhos! Vamos cuidar e amar uns dos outros, pois todos somos filhos de alguém!

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